sexta-feira, 28 de maio de 2010

Mundial em Sófia, Anand e Topalov

Caros Amigos,

De volta e finalmente postando esta longa notícia!

Quando o vulcão na Islândia, o Eyjafjallajoekull, começou a soltar suas cinzas, imaginei: “bem, tenho uma boa desculpa para não ir à Sófia... Depois os aeroportos reabriram e o match pelo campeonato do mundo entre Anand e Topalov iniciava! Engraçado, um vulcão na Islândia prejudicando o início do mundial! É bom lembrar que foi ali que Bobby Fischer venceu o mundial de 1972, e faleceu em 2008, com 64 anos. Vai ver, ele anunciava o campeonato!

Depois de muitos e-mails e telefonemas para o meu amigo Dimitar Gogov, em Sófia, e muitas pesquisas de passagens aéreas na internet, comprei o bilhete e me preparei para assistir ao finzinho do match.

Eu cheguei durante a 9ª partida, quando o confronto estava empatado, o que me deixou com a certeza de ver as últimas 3 partidas e um possível tie-break.

Cheguei a Sófia no dia 6 de maio, com o Dimitar me esperando no aeroporto. Na polícia federal, disse, “vim assistir ao campeonato mundial entre Anand e Topalov”. Me parecia ser uma chave que abria qualquer porta! Era feriado nacional, dia de São Jorge, um dos mais importantes para as famílias búlgaras! Jantamos na casa da irmã dele, junto com seus pais. Foi o tradicional, segundo o meu amigo: assado de carneiro, as saladas de pepino e tomate com iogurte, salames, copa, queijo e a farofa de grãos de arroz e miúdos.
No almoço do dia seguinte o mesmo cardápio, claro, mais a pinga búlgara e a vodka russa. À tarde fomos ao Clube Militar de Cultura onde recebi meu crachá VIP da área do Topalov. Conheci autoridades búlgaras e o famoso “manager” de Topalov, Silvio Danaílov. Em rápida conversa com este, me disse da sua intenção de virem para o Brasil, em especial ao Rio de Janeiro e São Paulo para, quem sabe, um grande torneio. Claro, fui apresentado como “diretor financeiro” do Clube de Xadrez de Curitiba. Qual não foi nossa surpresa, ao ver no dia seguinte a reportagem de que “milionário brasileiro quer levar Topalov ao Brasil”! Para mim ficou claro que o Danailov fazia tudo para criar notícias e interesse pelo mundial na mídia.

Como disse Topalov na cerimônia de abertura, “é um acontecimento histórico para Bulgária. Somos um país pequeno. Não podemos organizar uma olimpíada. O xadrez é um caminho muito eficiente para fazer publicidade para nosso país”.

No mesmo dia o Danailov me apresentou ao jornalista do “La Nación”, o argentino Carlos Illardo. Foi a pessoa com quem mais conversei dentro daquele templo do xadrez e que me pediu ajuda, caso precisasse adiar sua volta, se houvesse o tie-break. Tirei uma foto dele com Stefanova no último dia.

A sala VIP, onde eu podia ficar assistindo confortavelmente o embate, com cafés (normal e descafeinado!), refrigerantes, pães com queijo, tomate, salame. Nela havia um televisor de LCD com as imagens dos enxadristas e em outra mais à esquerda a tela do computador com os movimentos da partida, como no “site” oficial. Várias pessoas importantes passaram ou eram freqüentadores assíduos da sala, como o secretário da presidência da Bulgária, a delegação chinesa, com o GM Wang, e outros GM como Cheparinov e Kiril Goergiev. Além do áudio com os comentários, dentre outros, da Stefanova.

Porém, eu preferia assistir no auditório, silencioso, escuro, só o palco iluminando Anand e Topalov. Eu ficava um pouco na sala VIP, comendo e tomando café com leite (o leite vinha em uns potinhos parecidos com os de danoninho, porém menores) e depois descia ao auditório, onde eu deixava meu celular e máquina fotográfica. Estes eram proibidos no local de disputa. Para entrar no auditório, era necessário passar por um detector de metais. A segurança era séria e formal.

Nos dias onde não havia jogos aproveitei para ir ao Monastério de Rilla, distante uns 120 km de Sófia, no sábado. Nos outros passeei no centro de Sófia, fui conhecer o que eu só via em fotos pelo site do Chessbase, inclusive os hotéis onde se hospedavam os jogadores.

Anand venceu a 12ª e última partida pelo campeonato mundial de xadrez realizado em Sofia, na Bulgária. O desafiante, Vaselin Topalov, apesar de todo o apoio recebido dentro de seu país, ficou nervoso e deixou que Anand, com as peças negras, iniciasse um ataque arrasador contra o rei branco. Uma partida memorável, que certamente ficará guardada pelo resto da minha vida nos meus pensamentos.

Cumprimentei o Anand ao fim da entrevista coletiva. Pedi seu autógrafo e quando disse que era do Brasil, ele levantou os olhos para mim e sorriu.

Na cerimônia de encerramento, entrevistei Topalov e Danaílov, que disseram quererem muito conhecer o Brasil. Eu havia pedido para o Danaílov para gravar um breve depoimento, quando surge o Topalov. Fui apresentado e apertei a mão do desafiante. Aproveitei para gravar os dois juntos. Nem em sonho eu podia imaginar que faria isto!

No segundo dia em Sófia, na manhã da 10ª partida, visitei a catedral Alexander Nevsky e alguns prédios históricos do centro. Muitas estátuas de leões, símbolo da cidade e que dá o nome à moeda búlgara – leva. Nas ruas centrais, muitos cafés, feiras de artesanato e de livros. Metrô tem ainda poucas estações, está sendo ampliado. O bonde e o trólebus ainda se fazem presentes. Os prédios dos subrbios com as fahadas mal-conservadas lembram um pouco a Cohab. Por dentro, apartamentos bem confortáveis, feitos para reter o calor, aquecedores a água em todos os cômodos – e em todos os loais em que passei – água quente em todas as torneiras, por sinal, exatamente as do mesmo tipo, fosse onde fosse onde eu estava (cafés, Mc Donald´s, apartamentos, restaurantes e demais locais públicos).

Prédios públicos sem muita segurança. Vi um casal trocando fraldas dos bebes praticamente na entrada do prédio, os seguranças e motoristas discutindo e se confraternizando em vozes altas em plena rua. E motoristas reclamando de forma contundente dos homens públicos ...
A Bulgária é um país que tem como vizinhos a Turquia ao sul, os países dos Bálcãs a oeste (Grécia, Macedônia, Eslovênia); ao norte a Romênia, e a leste o Mar Negro. Sua capital é Sófia, onde assisti ao campeonato mundial.

Clima mediterrâneo, povo de origem asiática.

Vi fotógrafos tirarem impressões de um pássaro comum na cidade, que me pareceu um corvo, mas que deduzi, devido aos inúmeros pinheiros, ser um parente da gralha azul.

(1) Topalov,V (2805) - Anand,V (2787) [D56]

Sofia BUL, WCC 2010 Game_12 Sofia BUL (12), 11.05.2010

1.d4 d5 2.c4 e6 3.Cf3 Cf6 4.Cc3 Be7 5.Bg5 h6 6.Bh4 0–0 7.e3 Ce4 8.Bxe7 Dxe7 9.Tc1 c6 10.Be2 Cxc3 11.Txc3 dxc4 12.Bxc4 Cd7 13.0–0 b6 14.Bd3 c5 15.Be4 Tb8 16.Dc2 Cf6 17.dxc5 Cxe4 18.Dxe4 bxc5 19.Dc2 Bb7 20.Cd2 (Topalov decide que vai restringir o bispo de casas brancas e se aproveitar das debilidades negras no flanco de dama) Tfd8 21.f3 Ba6 22.Tf2 (um lance muito discutido pelos analistas que acabaram compreendendo que assim Topalov ganharia um tempo) Td7 23.g3 Tbd8 24.Rg2 Bd3 25.Dc1 (Topalov demorou bastante para realizar este lance, que os analistas consideravam o mais lógico e normal) Ba6 (momento psicológico importante: Anand sabia que Topalov jamais repetiria lances!) 26.Ta3 (na minha opinião um plano estranho, anti-natural: os próximos lances brancos seguem uma obsessão em deixar o bispo das negras restrito) Bb7 27.Cb3 Tc7 28.Ca5 (fiel ao plano de deixar o bispo “morto”; Anand sabia do “monstro” que possuía nas mãos) Ba8 29.Cc4 (e se o Topalov jogasse agora e4??) e5! (aqui Danaílov soltou uma enorme exclamação: “AHHH!”; o momento psicológico ficava claramente a favor de Anand!) 30.e4 f5! (a esta altura eu olhava fixamente a tela da partida; eu sabia que a partida ia acabar com a vitória de um dos lados) 31.exf5? (com Cd2 Topalov manteria algumas chances de lutar pela vitória) e4! (penso que aqui Anand não temia mais nada; neste momento outros assessores de Topalov olhavam fixamente para Danaílov na sala VIP; sabiam que o sonho do título ia por água abaixo; Danaílov olhava, calado, fixamente a tela de jogo; sua expressão manifestava claramente a desilusão) 32.fxe4?? (um erro só explicado pela extrema tensão psicológica reinante. Topalov desejava ardentemente a luta e as complicações, mas a posição do rei branco é muito duvidosa, lembrando outras partidas com derrota de Topalov, como aquela famosa contra Kasparov; Anand sente o bom momento e ganha inspiração divina) Dxe4+ 33.Rh3 Td4! (tocam as trombetas! Anand está no céu!!) 34.Ce3 (neste momento deixei a sala VIP; queria assistir ao vivo, da silenciosa mas tensa platéia, o surgimento de um campeão mundial de xadrez) De8!! (lance que pode ter escapado aos cálculos de Topalov e que decreta de vez a derrota do desafiante) 35.g4 h5 36.Rh4 g5+ (buscando os caminhos mais belos de arremate) 37.fxg6 Dxg6 38.Df1 Txg4+ 39.Rh3 Te7! 40.Tf8+ (Topalov resiste de maneira incrível, demonstrando seu enorme poder de luta, valorizando ainda mais a partida) Rg7 41.Cf5+ Rh7! (eu estava sentado na platéia, mas ao meu lado cochichos rompiam o tremendo silêncio, que acabou por mobilizar os seguranças em atitude autoritária, com dedo em indicação “ou cala ou saí!”) 42.Tg3 Txg3+ 43.hxg3 Dg4+ 44.Rh2 Te2+ 45.Rg1 Tg2+ 46.Dxg2 Bxg2 47.Rxg2 De2+ (daqui pra frente Anand mostra toda a sua técnica, já seguro que manterá o título de campeão do mundo) 48.Rh3 c4! 49.a4 a5 50.Tf6 Rg8! 51.Ch6+ Rg7 52.Tb6 De4 53.Rh2 Rh7! 54.Td6 De5 55.Cf7 Dxb2+ 56.Rh3 Dg7! 0–1


Interessante novo hóspede veio para o jogo entre o Campeonato Mundial de Xadrez Veselin Topalov e Viswanathan Anand - milionário brasileiro e diretor financeiro Leonardo Andrade de Dezembro.

"Não é só homem muito rico, mas muito interessado no xadrez - informar Silvio Danailov, gerente de Topalov. - Vai ter palestras sobre a possível organização do torneio "Grand Slam", no Rio de Janeiro ou São Paulo. "

Vídeos:



Vídeos sobre Sófia

Por enquanto é isto!

terça-feira, 4 de maio de 2010

Sonho??

Alo Amigos,

Bem, estou escrevendo às vésperas de embarcar para ... Sófia! Meu amigo Dimitar me convidou e lá vou eu para a Bulgária, país de clima mediterrâneo, vizinho de países como Grécia a oeste, Romênia ao norte, Turquia ao sul. A leste da Bulgária o Mar Negro, muito famoso pelas suas belezas naturais.
Alfabeto cirílico ... algumas letras já decorei, mas até aí ...
Em Sófia está acontecendo o mundial de xadrez entre o atual campeão, Anand, e o búlgaro Topalov. vou ter a oportunidade de assistir as últimas partidas, com ingresso vip!
Nos dias 6, 7, 8 e 9 é feriado na Bulgária. Acredito que esta parte da Europa, ainda muito misteriosa, possa se revelar hospitaleira e bela. Se depender do Dimitar, já está sendo!
Trarei muitas histórias e imagens desta aventura.
Até a volta!

quinta-feira, 22 de abril de 2010

Uma Avalanche que não caiu e um Tributo

Amigos,

Acho que eu estava a tanto tempo sem postar nada, que esqueci até do título quando falei sobre a minha palestra no CXC. Que vergonha!

A palestra repercutiu muito bem. Afinal, é fácil falar quando temos um ótimo livro como o do Smyslov e o do Kasparov.

Em breve farei no CXC um concurso cultural, que distribuirá como primeiro premio um livro autografado do Mestre Internacional Helder Câmara, "Caíssa". Um excelente livro, com 64 crônicas, uma para cada casa do tabuleiro ...
Como premios adicionais, darei o dvd "Uma Aventura no Reino do Xadrez", e talvez algum outro brinde como incentivo.

Enquanto isto, gostaria de adicionar os vídeos que foram gravados na palestra, como pequena amostra do nosso trabalho no CXC.









terça-feira, 20 de abril de 2010

II Noite Árabe no CXC

Amigos,

No último sábado, 17/04/2010, tivemos mais uma noite de festa no Clube de Xadrez de Curitiba. Foi a Noite Árabe, patrocinada pelo Baba Salim, do amigo Jamal.

Quem visitou a página do CXC pode ver em vídeos e fotos o imenso sucesso do evento.

Não era xadrez, não. Era mesmo um jantar com a "Dança do Ventre", para confraternização dos sócios, angariação de fundos e mais publicidade para o clube.

São eventos como este que demonstram o trabalho que a atual diretoria, encabeçada pelo Acyr Calçado, vem fazendo em prol do xadrez paranaense. Trabalho, esforço, ideal!


sábado, 17 de abril de 2010

Olá Amigos,

Devo pedir desculpas pela falta de postagens! Muito trabalho nestes dias interromperam meus textos. Porém, prometo restabelecer contato com mais frequencia!

Por enquanto, segue a palestra que ministrei no CXC em 14/04/2010:

“Uma Avalanche que não caiu e um Tributo”


Clube de Xadrez de Curitiba, 14/04/2010

“A Avalanche que não caiu”
Na palestra do amigo Henrique Marinho, que versou sobre o tema da “Avalanche de Peões Centrais em Campo Aberto”, da qual gostei muito, fiquei surpreso com a facilidade que os peões decidiam o jogo, pouco importando o material perdido em algumas posições.

Pensando no tema da minha palestra, poucos dias depois, eis que me defronto, com surpresa, com a “avalanche” abaixo:

Anderssen (1846)


1.De1!, fxe1=D; 2.Td4, d1=D; 3.Ta4+, Bxa4; 4.b4+, Dxb4; 5.axb4++


“Tributo”

Eu gostaria de deixar aqui meu tributo ao ex-campeão mundial, Vassily Smyslov, que faleceu recentemente, após completar 89 anos.

O livro “Partidas Selecionadas”, com tradução do General Ayrton Tourinho, foi marcante na vida de muitos enxadristas brasileiros, por conter muita qualidade e grandes ensinamentos, que influenciou toda uma geração.

Foram muitas as partidas deste livro que me deixaram forte impressão, e hoje compreendo como ele se incorporou aos meus pensamentos.

A meu ver, Smyslov tem um estilo muito parecido com o de Capablanca, um xadrez com lances simples, mas uma visão estratégica muito profunda e incomum, solucionando problemas táticos com muita intuição.

Como Capablanca, Smyslov foi um ótimo finalista, o que diferencia o seu estilo de jogo; partidas tranqüilas que se encaminham para finais resolvidos sempre com muita técnica.

Smyslov (1976)


Uma possibilidade para as negras é a linha: 1.Bb4, Rd3 (1. ..., Rxb4; 2.f7); 2.Re1, f3!; 3.gxf3, e2; 4.f7, Bf4 e Bg3++. Outra alternativa, 1.Be1, Rd3; 2.Bxh4, Rd2; 3.Be1+, Rd1; 4.f7, Ba3; 5.Bc3, Bc5! e ...6.e2++

1.f7, Ba3; 2.Bg7, f3!; 3.gxf3

(Não 3.f8=D Bxf8; 4.Bxf8, e2+; 5.Rf2, fxg2! e coroam).

3. ..., Rd3; 4.f8=B!!

(promover uma dama permitiria 4. ..., e2+; 5.Rf2, Bc5+!; 6.Dxc5, e1=D+; 7.Rxe1 – afogado!)

4. ..., e2+

(o bispo extra joga seu papel em caso de 4. ..., Bc1; 5.Bh6, Bd2; 6.Rg2, Be1; 7.Bc5, e2; Bf2 ganhando).

5.Rf2, e1=D+!; 6.Rxe1, Re3; 7.f4!, Rxf4; 8.Rf2, Bc1; 9.Bh6+ e as brancas vencem.


Smyslov,Vassily - Reshevsky,Samuel Herman [C82]

USA-URS radio m Soviet Union (1), 1945

1.e4 e5 2.Cf3 Cc6 3.Ab5 a6 4.Aa4 Cf6 5.0–0 Cxe4 (Reshevsky esperava que o velho plano de ataque, que ele havia preparado para o encontro, não fosse suficientemente familiar para o seu adversário – V. S.) 6.d4 b5 7.Ab3 d5 8.dxe5 Ae6 9.c3 Ac5 10.Cbd2 0–0 11.Ac2 f5 12.Cb3 Ab6 13.Cbd4 Cxd4 14.Cxd4 Axd4 15.cxd4 f4 16.f3 Cg3 (conclusão lógica dentro da idéia da abertura escolhida. Não muito antes do encontro pelo rádio URSS x EUA, esta posição ocorreu em duas partidas de Boleslavsky, contra Ragosin e Botvinnik e suscitou grande interesse entre os enxadristas da URSS – G. K.) 17.hxg3 fxg3 18.Dd3! Af5 19.Dxf5! (belo e inesperado sacrifício, que diferencia um Grande Mestre de um amador – Valério Andrade) Txf5 20.Axf5 Dh4 21.Ah3 Dxd4+ 22.Rh1 Dxe5 23.Ad2




“Chegou-se a uma posição muito interessante. As pretas têm uma dama por torre e dois bispos, e em breve se formará uma avalanche de peões pretos na ala da dama. Quem tem as melhores chances na complicada batalha que se aproxima é uma pergunta que ainda espera uma resposta definitiva” (Smyslov). Lamentavelmente, tenho a impressão de que a variante é evitada por ambos os lados hoje em dia. Por instinto, acho que as brancas devem estar melhores, embora o computador confira uma vantagem gigantesca para as pretas. Em geral, a situação é pouco clara, mas jogar com as brancas é mais interessante: existe a possibilidade de atacar (Kasparov).

No livro “Partidas Selecionadas de Smyslov”, a tradução do Ayrton Tourinho é um pouco diferente. Smyslov consideraria conclusivas as variantes que se seguiam nesta partida, em favor das brancas.

(Boleslavsky x Botvinnik, 1943)


Bf8! , com mate inevitável com Th6!!

Dxb2 (incrível! Nessa altura, quando Reshevsky está com quatro peões de vantagem, quem apostaria em Smyslov? – V. A.) 24.Af4 c5? (com isto as pretas “esquecem” de seu peão dama; segundo Kasparov o avanço do peão dama – d4-d3-d2 era o correto. A diferença é que com este avanço, as brancas não conseguiriam uma rede de mate para o rei preto) 25.Ae6+ Rh8 (enquanto Smyslov utilizou apenas 6 minutos de seu tempo, até aqui, Reshevsky já entrou no “apuro” - G.K.) 26.Axd5 Td8 27.Tad1 c4 28.Axg3 c3 29.Ae5! (os bispos cumprem uma função dupla: apontam para o rei inimigo e “olham” para trás, freando os peões – G.K.) b4 30.Ab3 Td2! 31.f4! h5 32.Tb1 Tf2! 33.Tfe1 Dd2 34.Tbd1 Db2 35.Td8+ Rh7 36.Ag8+ Rg6 37.Td6+ Rf5 38.Ae6+ Rg6 39.Ad5+ Rh7 40.Ae4+ Rg8 41.Ag6! 1–0

“Tributo 2”, por Henrique Marinho



24.Cf5!

"Sacrifício de peça típico da posição. Aconselha-se às brancas esquecerem momentâneamente o desejo de recuperar a peça e aumentarem gradativamente a potência do ataque. Não se deve aqui calcular (grifo) profundas combinações, mas confiar (grifo) numa apreciação da posição baseada em princípios gerais".

Bibliografia:

Partidas Selecionadas de V.V. Smyslov, Ibrasa, 5ª Edição, 1978, tradução de Ayrton Tourinho

Meus Grandes Predecessores Vol 2, Kasparov, Editora Solis, 1ª Edição, 2005, tradução de Giovanni Vescovi

El Verdadero Valor de Las Piezas, Andrew Soltis, Editora Tutor, 2008, tradução de Antonio Guide

Revista Manchete, coluna de Valério Andrade, “Partidas Inesquecíveis, nº.38”

Abraços!

quarta-feira, 10 de março de 2010

Os 300 de Caxias

Amigos enxadristas,



Desta vez a alegria contagiou a todos! Estar presente nesta verdadeira Festa de Caíssa foi de um sabor tão bom quanto o de um excelente vinho (uvas de Caxias do Sul).
Foram quase 300 jogadores, lutadores tão ferozes quanto os espartanos! Imaginem Mestres e amigos queridos, Everaldo e Frederico Matsuura, Rodrigo Disconzi, Hermann Claudius, Tsuboi, Alfeu Bueno, Krikor. Que dizer então dos GMs da qualidade de Rafael Leitão, Giovanni Vescovi, Milos, André Diamant, Mareco, Flores, Andres Rodrigues ... Imaginem então Ulf Anderson, Mequinho. E se eu dissesse a voces, Vassily Ivanchuck?? Pois é, o "cara" estava lá! Em carne, osso, boné e paletó surrado, como disse o poeta Joca.

Eu tive meu momento de glória, a honra de jogar no "cercadinho", na segunda rodada, com o GM Andres Rodrigues (URU) , ao lado da mesa do Sandro Mareco e na mesa de trás do Ulf Anderson e Mequinho. Quem diria?

 

Joguei uma partida interessante contra o Andres Rodrigues, mas ao final ele saiu muito feliz - fez um lindo sacrifício de dama na minha cabeça, posição de problema de mate em 2!!
Acho que a grande vitória no torneio aconteceu com a presença do nosso amigo Francisco Terzian, que mesmo com algumas dificuldades de saúde jogou um torneio muito bom, perdendo para o MI Herman Claudius, para o Luiz Mena Barreto e para o simpático paulistano Milson Theodoro . A força de vontade e o seu conhecimento enxadrístico superaram uma longa e desgastante viajem de carro na ida a Caxias (ficamos 11 horas na estrada!) e ainda dirigiu praticamnete todo o caminho de volta, com o copiloto aqui totalmente destruído (seja pelas derrotas patatísticas, seja pela falta de sono - lembrando que o tal Terzian roncou um monte).Foram mais 10 horas de volta! Isto depois de 20 anos sem jogar torneio! E ele já prometeu - "São José dos Pinhais, aí vou eu!".

André Boff e demais amigos da organização (em especial para o Marco Barbosa), 2012, estaremos de volta!


domingo, 28 de fevereiro de 2010

Dinheiro e Trabalho

Amigos libertários,

Para entender bem o que vou escrever abaixo, sugiro ler primeiro o blog da Lola. Me chamou atenção a polêmica nos comentários do post "Devendo Notícias".
A Lola jogou lá no Clube de Xadrez de São Paulo no início dos anos 90 e hoje é casada com o Silvio Cunha. Para quem não sabe, eles estavam morando em Joinville e se mudaram para Fortaleza, ela passou no concurso público de professora da Universidade Federal.
De cara precisou de assistência médica, e descobriu a dura realidade do nordeste brasileiro, a inadequada prestação de serviços de saúde, além é claro, dos inúmeros pedintes Início da discussão: baixos salários, poucos profissionais da área da saúde.
Quem ganha bem no Brasil? Médicos, advogados, engenheiros. Eu incluiria, em um patamar um pouco mais baixo, profissionais de informática. Professores de xadrez? Devem estar num dos degraus mais baixos das profissões ... eles existem?
Nos comentários a discussão foi de alto nível. Muitos argumentos bem fundamentados. Mas fiquei com uma vontade enorme de expor minha opinião. Como ela é um pouco longa, preferi ter mais espaço aqui no meu blog.
Eu trabalhei muito tempo como analista de sistemas, e de vez em quando ainda tenho minhas recaídas. É um trabalho que exige muita atenção, raciocínio lógico, tecnicas de programação e linguagem de computador. E quando se está no sistema financeiro - a informática está em todos os ramos da sociedade - a pressão por resultados é enorme. Quantas vezes fui acordado de madrugada para resolver problemas intrincados, ou mesmo nem dormi, acompanhando processamentos cheio de falhas? Ou quantas mesquinharias, canalhices, desaforos e, como diria meu amigo Diniz, humilhações, passamos com um único objetivo: ganhar dinheiro.
Acredito que em qualquer profissão voce possa se dedicar e ganhar dinheiro. Pelo menos o suficiente para atender suas reais necessidades e levar uma vida feliz.
Hoje eu digo que não existe nada melhor do que voce poder chegar em casa, por a cabeça no travesseiro e dormir tranquilo.
Acredito que o trabalho deva nos dar motivo para levantar da cama com alegria e sabendo estar realizando alguma coisa que vaí beneficiar a sociedade como um todo.
Como professor de xadrez, acredito estar podendo proporcionar o prazer em descobrir, em pensar, em saber analisar, refletir e antever as consequencias de nossos atos. Acredito mesmo nos benefícios que traz o aprendizado do jogo de xadrez para as crianças. Se elas vão ou não ser campeões, isto é o que menos importa.
Torço para que a Lola e o Silvio possam realizar um excelente trabalho lá no Ceará! Tenho certeza de que o fruto desse trabalho será bem saboroso!